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As Figuras

AGUSTINA BESSA-LUÍS

AGUSTINA_BESSA-LU_S.jpgAgustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, em 1922. A sua infância e adolescência foram passadas nesta região, cuja ambiência marcará fortemente a obra da escritora. Estreou-se como romancista em 1948 com a novela Mundo Fechado, cujo título actua como que uma definição de toda a sua pro- dução literária e do próprio mundo de Agustina.
 
Na verdade, a ambiência das suas obras vive de “mundos fechados”, bem como a sua própria escrita se encontra “fechada” a qualquer tentativa de contextualização, em termos de correntes, na história da literatura portuguesa. Manteve, desde então, um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas, contando até ao momento com mais de meia centena de obras. Tem representado as letras portuguesas em numerosos colóquios e encontros inter- nacionais e realizado conferências em universidades um pouco por todo o mundo.
 
Notável escritora de fino recorte, tem-nos enriquecido com obras soberbas ao nível do romance, teatro e, mais recentemente, no cinema (onde trabalhou com o realizador Manuel Oliveira) e na televisão.
 
Recebeu aos 81 anos o mais importante prémio literário da língua portuguesa: o Prémio Camões, em 2004.
 

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

AMADEO_DE_SOUZA-CARDOSO.jpgAmadeo de Souza-Cardoso nasceu a 14 de Novembro, no lugar de Manhufe, freguesia de Mancelos, concelho de Amarante.
 
Precursor da arte moderna portuguesa, estudou em Paris em várias escolas perseguidoras da modernidade das belas-artes, onde conviveu com algumas das referências mais sonantes da arte europeia de então. Faleceu, prematuramente, aos 30 anos de idade vítima do surto de gripe pneumónica que flagelou a Europa no pós I Guerra Mundial.
 
Não teve oportunidade de ver o seu trabalho reconhecido, nem tão pouco de completar o seu círculo criativo.
 
Com a sua morte quedou-se a vã esperança do sentido da modernidade da arte portuguesa, só reconhecido meio século depois, ficando, ainda assim e nas palavras de Almada Negreiros, “A Primeira descoberta do Portugal Moderno” do século XX. Em Amarante e no Museu Municipal do qual é patrono a sua obra encontra-se, profusamente, representada.
 

ANTÓNIO MOTA

ANT_NIO_MOTA.jpgAntónio Mota nasceu em Vilarelho, Ovil, concelho de Baião, em 16 de Julho de 1957. Recebeu, em 2004, o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens.
 
Olhe, senhor, o mundo já deu muitas voltas, e eu já vi muita coisa. Agora tudo está mudado, inventam-se todos os dias maquinismos que nem ao Diabo lembraram, e os costumes vão morrendo.
Os velhos, como eu, quando fecham os olhos, enterram também tradições que os avós dos avós dos nossos avós nos ensinaram.
Quer então, o senhor, que eu lhe fale desses tempos antigos?
Já tenho setenta e nove anos, não parece mas é verdade, e a minha memória está um bocadinho rota. A gente, ao fim destes anos todos, vai perdendo a memória de hoje e só relembra a de há muitos anos. De velho se torna a menino, e é bem verdade. Os anos passam e os velhos metem no mesmo saco o bem e o mal. O que antes parecia bonito, passou a ser feio, o que era mau, com a poeira dos anos poisada, ficou a parecer bem. A vida é feita de pequenos nadas.
O tempo é o melhor remédio para sarar as feridas e a desilusão, as paixões e os rancores. Nove meses para nascer, nove meses para esquecer, nunca ouviu dizer?
 
Excerto de “ Outros Tempos”, Gailivro, 2006
 

 

EÇA DE QUEIROZ

E_A_DE_QUEIROZ.jpgÉ considerado o grande romancista da literatura portuguesa, quer pela sua amplidão temática (domi-nada pela crítica da sociedade contemporânea e pelos desmandos do amor sen-sual, ex. O Crime do Padre Amaro, 1875, e O Primo Basílio, 1878), quer pela capacidade narrativa (manifestada na orgânica realista e decadente de Os Maias, 1888), quer pelo rigor e criatividade do seu estilo impressionista (que culmina na prosa animista de A Cidade e as Serras, 1901).
 
A Fundação Eça de Queiroz nasceu em 1990, por iniciativa de Maria da Graça Almeida Salema de Castro, com sede na Quinta de Vila Nova, em Tormes, Baião.
 
Tem como objectivos “a divulgação e o estudo da obra de Eça de Queiroz, bem como o desenvolvimento de toda uma gama de iniciativas culturais, tanto de âmbito nacional, como de incidência mais estritamente regional(...)”
 
“Por toda a parte a água sussurrante, a água fecundante... Espertos regatinhos fugiam, rindo com os seixos; grossos ribeiros açodados saltavam com fragor de pedra em pedra; fios direitos e luzidios como cordas de prata vibravam e faiscavam das alturas dos barrancos; e muita fonte, posta à beira de veredas, jorrava por uma bica, beneficamente, à espera dos homens e dos gados...” A Cidade e as Serras
 

MARCELO REBELO DE SOUSA

Sem o relevo das outras figuras do Baixo Tâmega aqui evocadas, Marcelo Rebelo de Sousa encontra-se associado a essa região pelas raízes de seu Pai, pela notoriedade que a Celorico de Basto enquanto Presidente da Assembleia Municipal e sobretudo como patrono empenhado da sua Biblioteca Municipal, à qual tem vindo a doar, em vida, dezenas de mlihares de volumes e manuscritos históricos”
 
Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa nasceu em Lisboa em 1948, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde também se doutorou em Ciências Jurídico-Políticas.
 
Marcelo Rebelo de Sousa é actualmente Professor Catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa e Presidente da Assembleia Municipal de Celorico de Basto, terra dos seus avós. Contribuindo ele próprio para a elevação da literatura portuguesa
 

TEIXEIRA DE PASCOAES

TEIXEIRA_DE_PASCOAES.jpgTeixeira de Pascoaes, pseudónimo literário de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos , foi um escritor e poeta português e um dos mais notáveis representantes do saudosismo.
Com António Sérgio e Raul Proença liderou o movimento da "Renascença Portuguesa" e lançou em 1910 no Porto, juntamente com Leonardo Coimbra e Jaime Cortesão, a revista "A Águia", principal órgão do movimento.
Grande parte da sua vida foi passada no solar da sua família em Gatão (Amarante), onde cultivava a terra e escreveu muita da sua poesia contemplando a paisagem da Serra do Marão.