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A Região

Em termos geográficos e históricos, apresenta duas realidades muito vincadas: as Terras de Basto, zona de transição entre o Litoral minhoto e as terras transmontanas, englobando os três concelhos mais a norte, e as terras marcadas pelos dois rios que as atravessam, o Rio Douro e o Rio Tâmega. Estas duas realidades são ainda marcadas pelos vales encaixados onde correm os respectivos rios, factores de oposição e, simultaneamente, de unidade entre os diferentes municípios, pelo complexo montanhoso Alvão/ Marão/Aboboreira.

Os Sistemas Montanhosos

Marão

mar_o.jpgA Serra do Marão é a sexta maior elevação de Portugal Continental, com 1443 metros de altitude.Situa-se na região de transição do Douro Litoral para o Alto Douro.
A sua inércia confere ao clima do interior transmontano um carácter mais continental. Apresenta uma boa mancha vegetal (se bem que tenha sido recentemente destruída pelos inúmeros incêndios que ocorrem em Portugal todos os verões, as plantas recuperaram) constituída por pinheiros.
 
A vinha é a cultura dominante, nas suas encostas meridionais.Geologicamente é composta ou por largas manchas xistentas ou graníticas, existindo na zona da localidade de Campanhó, uma pequena bolsa calcária, que é explorada para fins agrícola (para correcção da acidez dos solos). Durante muitos anos, até à construção do IP4, foi um autêntico muro que impediu o progresso do interior transmontano, já que a velhinha estrada nacional 15, era um "calvário" para os automobilistas.
 

Alvão

alv_o.jpgA Serra do Alvão é uma elevação de Portugal Continental, com 1283 metros de altitude. Situa-se a Noroeste de Vila Real, sendo nela predominantes os xistos e os granitos, separados por afloramentos de quartzitos. Aí se localiza o Parque Natural do Alvão.
O Parque Natural do Alvão é uma área protegida de Portugal que possui reduzidas dimensões e situada entre os concelhos de Mondim de Basto e Vila Real. Foi criado em 1983.
 
Fauna:
• Águia-real (praticamente extinta)
• Lobo-ibérico (Canis lupus signatus)
• Gato-bravo
• Toupeira-de-água
• Falcão-peregrino
 

Aboboreira

aboboreira.jpgA Serra da Aboboreira, um contraforte granítico implantado no extremo ocidental do maciço montanhoso Marão/Alvão, está localizada no extremo noroeste do distrito do Porto, Portugal. Distribui-se pelos concelhos de Amarante, Baião e Marco de Canaveses.
 
Não é muito acidentada, estendendo-se por longos planaltos (designados por «chãs»), e eleva-se até uma altitude de 1 000 metros, sendo de destacar, pela sua importância, três pontos: o da Abogalheira, com 962 metros; o de Meninas, com 970 e o da Senhora da Guia com 972 metros.
 
A Serra da Aboboreira, provavelmente ocupada desde o Paleolítico Inferior (30 000 a.C.) e apresenta muitos vestígios do Neolítico e da Idade do Bronze, datados de 2 500 a.C., como o dólmen de Chão de Parada.
 
A Serra da Aboboreira ocupa em toda a sua extensão uma área total de 118,9 quilómetros quadrados, tendo uma população de 13 100 habitantes e uma densidade populacional de 110,1 habitantes/Km2.
 
Nesta serra o bovino autóctone da raça arouquesa, faz o trabalho e produz vitelos de qualidade criados em zonas de pastagem ou áreas de baldio. Serra com enorme riqueza florística, a apicultura é uma actividade em expansão na Aboboreira, onde se produz mel de óptimas características organalépticas, cada vez mais procurado.
 

Os Rios

Douro

douro.jpgO rio Douro é um rio que nasce em Espanha, na província de Sória, nos picos da Serra de Urbião (Sierra de Urbión), a 2.080 metros de altitude e atravessa o norte de Portugal. A foz do Douro é junto à cidade do Porto. Tem 850 km de comprimento.
Segunda a história o seu nome deriva do seguinte: - Nas encostas escarpadas, um rio banhava margens secas e inóspitas. Nele rolavam, noutros tempos, brilhantes pedrinhas que se descobriu serem de ouro. Daí o nome dado a este rio: Douro.
 
A UNESCO designou em 14 de Dezembro de 2001 a região vinhateira do Alto Douro (45°68' N, 5°93' W) na lista dos locais que são Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural.
 
A Bacia Hidrográfica do Douro tem uma superfície de aproximadamente 18710 km²
Nasce na Espanha, nos picos da serra de Urbión, (Sória), a 2080 metros de altitude e tem a sua foz na costa atlântica, na cidade do Porto.
 
O seu curso tem o comprimento total de 850 km. Desenvolve-se ao longo de 112 km de fronteira portuguesa e espanhola e de seguida 213 km em território nacional. A sua altitude média é de 700 metros. No início do seu curso é um rio largo e pouco caudaloso.
 
De Zamora à sua foz, corre entre fraguedos em canais profundos. O forte declive do rio, as curvas apertadas, as rochas salientes, os caudais violentos, as múltiplas irregularidades, os rápidos e os inúmeros "saltos" ou "pontos" tornavam este rio indomável. Aproveitando o elevado desnível, sobretudo na zona do Douro internacional, o desnível médio é de 3m/km, a partir de 1961, foi levado a cabo o aproveitamento hidroeléctrico do Douro.
 
Com a construção das barragens, criaram-se grandes albufeiras de águas tranquilas, que vieram incentivar a navegação turística e recreativa, assim como a pesca desportiva. Excluindo-se os períodos de grandes cheias, pode dizer-se que o rio ficou domado definitivamente.
 
No seu curso, entre Bemposta e Picote, pode ser visto, nas suas águas espelhadas, tudo o que rodeia este ambiente: as nuvens, o sol, (que queima os olhos, reflectido na água), os montes, as fragas, as aves (patos, garças, águias, abutres, gaivotas). Nas fragas mais altas podem ser vistas aves de rapina, guardando os seus ninhos.
 
Por outro lado, no rio, espécies indígenas, como o escalo, a enguia e a truta, têm sido dizimadas ou pela pesca à rede descontrolada e/ou pela modificação das condições ambientais (parte do ano estão perto do limite de resistência de algumas espécies). Após a construção da barragem, foi feita a introdução da Carpa que, podendo atingir acima dos 20 kg, tem a propriedade de se alimentar de tudo, fazendo a limpeza das barragens mesmo em condições precárias de oxigenação das águas. Mais recentemente, surgiram o Achigã, a Perca, o Lúcio (peixes carnívoros) e o Lagostim vermelho, (todos eles originários de outros países). Pode ainda encontrar-se, com abundância, a boga e o barbo e até mexilhão (idêntico ao do mar).
 
Porém, passar junto a fragas gigantes, tingidas de várias tonalidades, pela separação de fragmentos de rocha, causadas por dilatações e contracções bruscas, motivadas pelo clima, é esmagador.
 
Viajando até junto do Douro, que serpenteia entre as arribas, pode ver-se onde vivem e/ou nidificam abutres, grifos, águias, pombos bravos, andorinhas, etc., e nas ladeiras do mesmo, a perdiz, a rola, o estorninho, o melro, o papa figo, etc.
 
Dentro das matas de zimbros, estevas, carvalhos, sobreiros e pinheiros e outras variedades de vegetação das encostas do Douro, podem ainda encontrar-se espécies cinegéticas, que são uma das maiores riquezas naturais da região: o corso, o javali, o coelho, a lebre, o lobo, a raposa, o texugo, a gineta, etc.
 
O Rio Douro foi, e é, uma fonte de riqueza para a região e para a aldeia. Antigamente, fazia mover as azenhas que se espalhavam nas suas margens, tais como as azenhas do Sr. António Luís, dos Fróis, dos Melgos e dos Velhos, permitia a pesca, irrigava campos ou enchia os poços das melhores hortas de Bemposta, existentes perto deles, onde se cultivavam as novidades e as árvores de fruta, base de sustento das populações. Mais tarde, com o aproveitamento hidroeléctrico, Bemposta passa a contribuir para a riqueza nacional, distribuindo energia eléctrica ao país. Proporcionou também maior abundância de peixe, através das albufeiras, criando alguns postos de trabalho com a pesca profissional, a que se dedicaram algumas famílias.
 

Tâmega

tamega.jpgO rio Tâmega é um rio internacional, que nasce em Verín, Orense, Espanha e desagua em Entre-os-Rios no rio Douro.
 
O rio Tâmega atravessa Amarante a cerca de trinta quilómetros da sua foz, Entre-os-Rios, onde desagua no rio Douro. Encaixado num vale resultante de uma falha de orientação NE-SW, o canal rectilíneo do rio Tâmega apresenta, na sua passagem pelo centro urbano de Amarante, um ligeiro desvio para noroeste, devido, provavelmente, ao cruzamento com a fractura onde se veio a implantar o rio Fornelo (FERNANDES, 1960).
 
São diversificados os habitats presentes ao longo das margens: matas ribeirinhas, manchas de floresta mista, rochas nuas, falésias interiores, áreas agrícolas, matos e culturas arbustivas. Subsistem ainda alguns núcleos de vegetação ribeirinha autóctone, além de uma fauna própria de ecossistemas fluviais.
 
As águas do rio são, geralmente, límpidas com um tom que varia de verde-escuro a verde azeitona, típico das regiões graníticas (MOREIRA, 1986).
 
A variabilidade de formas geomorfológicas fluviais que encontramos, está ligada à dinâmica e à mecânica dos fluxos do rio e pressupõe a interferência de alguns factores físicos locais.
 
O Tâmega possui elementos fluviais que se manifestam de duas formas diferentes no troço urbano do rio Tâmega: as ilhas (ínsuas como são designadas localmente) e as praias fluviais.
 
O exemplo mais espectacular é representado pela ínsua dos Frades, uma ilha de contornos irregulares com cerca de quatrocentos metros de extensão, situada entre o açude da Feitoria e a Ponte Nova.
 
No seguimento desta ilha para jusante, encontramos outra ínsua, de menor dimensão - a Praia do Areal, que é aproveitada como praia fluvial, constituída por material heterométrico e microformas de grande interesse geomorfológico.
 
Camuflada pela vegetação, a Ilha dos Amores (a de menor extensão) situa-se nas proximidades do Parque Florestal e encontra-se coberta por blocos heterométricos e microformas de grande interesse geomorfológico.
Na margem direita, é de realçar, pelas suas aptidões ambientais, geográficas e turísticas, a Praia Aurora.
 
Este areal originou-se em 1952, aumentando a sua extensão até atingir oitocentos metros quadrados em 1972 (Flor do Tâmega, Amarante, 3 de Setembro de 1972).
 

Olo

olo.jpgO Rio Olo nasce no Parque Natural do Alvão, num local lindíssimo conhecido por "Fisgas" e desagua uns quilómetros a baixo no Rio Tâmega.
 
Considerado um espectacular acidente geológico onde este rio Olo se desmanda de um desfiladeiro formando uma série de cascatas atingindo a maior 50 metros. São consideradas as maiores quedas de água da Península Ibérica. O nome, apesar de estranho, advém da forma como o rio se precipita caindo de uma fisga (o mesmo que fenda) aberta na rocha, não de um ponto mais alto de um monte mas do interior da rocha. Com tanta força, o rio escavou uma saída improvisada. Lá diz o provérbio, “água mole em pedra dura... “